Diário: Dom Jaime Câmara   -   Monsenhor Ivo Calliari

Orelhas do Livro                

ORELHA 1:

Segundo seu diário, o Monsenhor Ivo Calliari. secretário particular do Cardeal Câmara e procurador geral da Mitra Arquidiocesana do Rio de Janeiro, vem a público para cumprir um voto de fidelidade e admiração de aluno diante do seu mestre. Isto acontece 25 anos depois da morte de D. Jaime, em 1971.

A presença da Igreja Católica na História do Brasil vem desde a descoberta. A Primeira Missa foi o ato solene que consagrou o inicio político da posse territorial e o fim da inocência dos nativos. Este livro conta o dia-a-dia do Cardeal Jaime Câmara, 496 anos depois dessa missa.

 

Quando chegou ao Rio, D. Jaime encontrou 68 igrejas e ao terminar sua missão eram quase 200 e uma nova catedral. Participou da eleição de 2 Papas e numa delas faltou pouco para ficar no Vaticano.Professor por vocação, dedicava­se com entusiasmo à missão de ensinar Teologia e realizar retiros. Foi um obstinado peregrino da fé, tal como o apóstolo Paulo. De Santa Cruz ao Leblon, passando por Vila Isabel, corria todo o chão de sua arquidiocese num mesmo dia. Se pressentia estafa, dormia na Beneficência Portuguesa, onde a assistência médica lhe garantia dar conta do dia seguinte.

 

Detalhes até hoje inéditos do relacionamento íntimo entre Igreja e Estado o leitor encontrará com a leitura desse livro. Os diálogos de D. Jaime com as lideranças políticas do país, Lacerda, Juscelino, Jânio, Jango e os militares, a negativa de bênção a Chateaubriand, o seu protesto contra rezar missa para Getulio suicida, a briga contra Nelson Carneiro e o divórcio, está tudo documentado. Até quando, pela voz de um dos seus bispos, a Igreja ameaçou pegar em armas caso o Congresso aprovasse a nova legislação do regime conjugal.

ORELHA 2:

D. Jaime pastoreava um rebanho imenso, diversificado e rebelde. Não foi fácil a longa luta judicial para Iivrar a Irmandade da Antiga Sé das figuras negativas que falavam e agiam em nome dela.

 

Quantas as madrugadas não dormidas, interrompidas por seu bispo auxiliar. D. Hélder, para resolver questões nem tão urgentes quanto o alarme anunciado. E a campanha do "Correio da Manila" e sua primeira dama. Niomar Bittencourt, contra a realização do XXXVI Congresso Eucarístico Internacional no Aterro do Flamengo!

Até de onde menos se esperava, de lá vinham desafios e provocações. Seu sobrinho-neto, que batizara, participou do seqüestro do Embaixador alemão Von Holleben. Pouco tempo depois, D. Jaime teve que rezar missa por sua morte. como elemento subversivo

 

Rico de informações precisas, datas, horários e tudo quanto compõe a exatidão de uma agenda de autoridade eclesiástica. Este livro retrata a vida de um cardeal que celebrava a paz entre poderosos e era presença constante entre os mais humildes. D. Jaime subiu em todas as favelas do Rio e até hoje o morro do Salgueiro tem saudades das missas a que assistia no Sumaré.

 

Segundo Monsenhor Américo Vespucio Simonetti, pároco da catedral de Mossoró, onde D. Jaime começou como bispo, fazer memória histórica é simplesmente um dever para com o futuro.

Foi este sentimento que deu ao Monsenhor Ivo as energias para chegar até aqui e legar o que sabe ao conhecimento das novas gerações.

 

ANTONIO CAETANO

Presidente  -  AMA – Centro Histórico - Petrópolis

Sumário

Introdução, 9

 

Capítulo I

            Tombou o Jequitibá, 11

Capítulo II

            Meu Reitor do Seminário, 16

Capítulo III

            Primórdios de um Câmara Ilustre, 25

Capítulo IV

            Bispo de Mossoró, 41

Capítulo V

            Arcebispo de Belém do Pará, 49

Capítulo VI

            Arcebispo do Rio de Janeiro