A leitura deste CHÃO DA VIDA vai enriquecer nossos conhecimentos sobre a recente história cultural brasileira. Há 65 anos (1920) Jayme de Barros começava sua atividade de jornalista, no vespertino "Rio Jornal", fundado por João do Rio.

Foi agradecer a publicação do discurso de formatura no Colégio Pedro II e não lhe deixaram sair sem o compromisso de voltar, como reporter. Em 1922 foi chamado para "O Paiz", respondendo pelas matérias mais importantes do maior jornal da época, até o incëndio que o destruiu em 1930.

Jayme de Barros se utilizava, basicamente, de dois trunfos: extraordinária memória e raro espírito de síntese. Não havia gravador. Entrevistas, discursos politicos e declarações com força de mudar a História não escapavam ao jovem repórter. São incontáveis os entrevistados que o procuravam para agradecer o respeito a fidelidade de suas declarações. Esta sequência de êxitos culmina com seu ingresso na carreira diplomática. O Rio perde o jornalista e o crítico.

 Foi um dos primeiros cronistas a apontar o talento de Procópio Ferreira. Ganha o Brasil um atuante e competente defensor de nossa gente e nossa cultura em Paris, Buenos Aires, Nova Iorque, São Domingos e Praga. Nestas cidades, a casa de Marina e Jayme de Barros era a casa de Villa-Lobos, Gilberto Amado, Portinari, Rubem Braga, Augusto Frederico Schmidt, San Thiago Dantas, Guilherme Figueiredo, José Lins do Rego, Jorge Amado, Austregésilo de Athayde, Marly e José Sarney, Israel Pedrosa, Ceschiatti, Antonio Bandeira, Scliar e tantas centenas de nomes que aparecem nestas 600 páginas de chão e de vida, relacionadas em cuidadoso indice onomástico.

O colecionador de arte nasce naturalmente do convívio que passa a ter com os artistas que integravam a chamada Escola de Paris. Aí le se revela o mais exigente e sutil dos críticos. Escolheu e comprou o que havia de melhor de Van Dongen, Vlaminck, Utrillo, Andre Lhote, Dufy, De Pisis, Marie Laurencin e outros. Deu-se ao requinte de não comprar Chagall, só porque o pintor resistiu em lhe vender justamente o quadro predileto do seu ateliê. Até hoje ele se arrepende deste fato.

Lance por lance, o leitor vai saber a história de sua coleção e o interesse que museus famosos e figuras como Nelson Rockfeller demonstraram por ela. Uma coleção que possui urn belo Monet, um magnífico conjunto de obras de Portinari, Rodin, Bandeira, Israel Pedrosa, Henrique Cavalleiro, Marcier, Malagoli e tantos outros muito bem representados. Jayme e Marina sao apaixonados por arte. Com a leitura deste livro voce vai dominar os códigos do, até hoje, inviolável segredo dessa paixão.

Orelhas do livro:
Chão da Vida
Jayme de Barros